Finança social
Finança Social é uma forma de actividade financeira para servir instituições preparadas para responder a certas necessidades sociais que não podem ser satisfeitas por financiamentos ou investimentos convencionais.
Finança social
O que é Finança Social e quais as instituições que envolve?
A Finança Social gera uma prosperidade global e o seu objectivo principal é a criação e o desenvolvimento do capital social que beneficia todos, especialmente aqueles que, de alguma forma, foram excluídos e negligenciadas. A Finança Social inclui uma variedade de organizações e instituições prestadoras de serviços financeiros para aqueles que não têm acesso ao financiamento convencional. Estas organizações são geralmente independentes das autoridades do Estado ou de iniciativas políticas públicas e o seu financiamento vem de várias fontes, incluindo: os investidores locais, instituições de caridade e fundações de solidariedade social, organizações religiosas, governos locais, empresas e vários doadores.
A Finança Social inclui os seguintes tipos de organizações:
- Uniões de Crédito – são cooperativas, instituições sem fins lucrativos cujos membros financiam, sob a forma de cotas, e cujos bens financeiros são então utilizados para um novo empréstimo,
- Microcrédito – concessão de pequenos empréstimos para pequenas empresas e indivíduos sem dependência de garantias convencionais de crédito e classificação,
- Fundo de Garantia Mútua – instrumento de poupança/investimento de cariz mutualista de apoio às micro, pequenas e médias empresas (PME), que se traduz fundamentalmente na prestação de garantias financeiras para facilitar a obtenção de crédito em condições de preço e prazo adequadas aos seus investimentos e ciclos de actividade.
- Empréstimo de Fundos Comunitários – geralmente de propriedade e controlado pelas comunidades locais, fazem do capital disponível para projectos de regeneração da comunidade cujos empréstimos são frequentemente utilizados para alavancar o capital adicional,
- Fundos Comunitários de Capital de Risco – semelhante aos fundos de capital de risco convencionais, mas dedicado a projectos com missão social certa,
- Fundos de Investimento com Responsabilidade Social – cuja função é investir em empresas com missão social ou ético.
O que são Uniões de Crédito?
Uniões de crédito são cooperativas de instituições financeiras privadas e controladas pelos seus membros. Elas diferem dos bancos comerciais e outras instituições financeiras pelo facto dos seus membros, que têm contas na união de crédito, serem também seus proprietários, com direito de eleger um conselho de administração num sistema de sociedade democrática, "uma pessoa - um voto", independentemente da quantidade de dinheiro investido. Apenas os membros de uma união de crédito podem depositar ou pedir dinheiro emprestado.
As uniões de crédito podem ser vistas como organizações sem fins lucrativos, ou como empresas sem fins lucrativos para os seus membros, que recebem sob a forma de taxas de juro de empréstimos ou dividendos pagos na poupança (que geralmente são tributados como renda ordinária).
Quais as vantagens e desvantagens da União de Créditos para os seus utilizadores?
As Uniões de Crédito e os Bancos Comunitários oferecem as seguintes vantagens para seus clientes:
- focam a sua atenção nas necessidades das comunidades locais, empresas e agricultores (ao contrário dos bancos comerciais que visam gerar lucros para os seus gestores e accionistas),
- canalizam a maioria de seus empréstimos a pessoas e empresas locais (ao contrário dos bancos comerciais que podem investir os seus fundos em qualquer lugar),
- são geralmente acessíveis aos seus clientes (sócios) no local (ao contrário dos bancos comerciais, que não pode ter ramificações em pequenas cidades ou áreas rurais),
- normalmente estão profundamente envolvido nos assuntos das comunidades locais,
- estão dispostos a considerar o carácter, histórico e familiar, e despesas discricionárias na sua política de empréstimo (ao contrário dos bancos comerciais que, muitas vezes, aplicam critérios impessoais como credit scoring - regras de crédito pré-estabelecidas - de todas as decisões de empréstimo sem levar em conta as circunstâncias individuais),
- oferecem decisões rápidas sobre os empréstimos comerciais, porque as decisões são tomadas localmente (ao contrário dos bancos comerciais que, muitas vezes, precisam convocar comissões de aprovação do empréstimo),
- sendo pequenas empresas, entendem melhor as necessidades e problemas dos donos de pequenos negócios.
Por outro lado, as suas desvantagens e riscos para os clientes incluem o seguinte:
- depósitos nas uniões de crédito e bancos de comunidade muitas vezes não são garantidos (ou seguros) pelas instituições do Estado (ao contrário dos depósitos nos bancos comerciais em muitos países), embora possam ser segurados de outras formas (por exemplo, uma companhia de seguros especializada, propriedade da união de crédito)
- devido à sua pequena dimensão e menos fiscalização das instituições de supervisão são mais propensos a entrar em falência, como resultado de problemas financeiros ou de fraude,
- muitas vezes não podem ser competitivas com os bancos comerciais em termos de alcance e qualidade de serviços, especialmente na área da banca electrónica (rede ATM, acesso à internet, etc).
O que é o Microcrédito?
O Microcrédito é uma alternativa de crédito para os empreendedores do sector formal e informal, que não têm acesso ao sistema formal de crédito (sistema bancário tradicional) e desejam montar, ampliar ou melhorar seu negócio.
O que são Fundos de Garantia Mútua?
Fundos de investimento (ou mútuos). O fundo de investimento de Garantia Mútua é um sistema privado e de cariz mutualista de apoio às pequenas, médias e micro empresas (PME), que se traduz fundamentalmente na prestação de garantias financeiras para facilitar a obtenção de crédito em condições de preço e prazo adequadas aos seus investimentos e ciclos de actividade.
Glossário:
Capital de Risco – Mutualismo
Outras leituras:
B. Balkenhof, Credit Unions and The Poverty Challenge, Inter. Labour Office, Geneva 1999;
J. Carroll Moody & Gilbert C. Fite, The Credit Union Movement: Origins and Development. Kendall/Hunt Publishing Co., Dubuque, Iowa 1984;
P. Collier, Social Capital and Poverty, Oxford University Press, 1998;
Ian MacPherson, Hands Around the Globe: A History of the International Credit Union Movement and the Role and Development of the World Council of Credit Unions, Inc. Horsdal & Scubart Publishers Ltd, 1999;
G. Smith, Money, Banking and Financial Intermediation, D.C. Heath & Co., Lexington 1991;
Hiperligações para textos e sítios electrónicos relevantes:
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Referências cruzadas para outras leituras no Módulo da Literacia Financeira:
Banca | Empréstimos a estudantes do ensino superior | Fazer uma reclamação | Risco